domingo, 20 de dezembro de 2009

Acadianos

Originam-se de tribos semitas que habitavam o norte da Mesopotâmia a partir de 2400 a.C.. Sob o reinado de Sargão, conquistam e unificam as cidades-estados sumérias, inaugurando o I Império Mesopotâmico.





História

Os acádios, grupos de nômades vindos do deserto da Síria, começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumérias, terminando por dominar as cidades-estados desta região por volta de 2550 a.C.. Mesmo antes da conquista, porém, já ocorria uma síntese entre as culturas suméria e acádia, que se acentuou com a unificação dos dois povos. Os ocupantes assimilaram a cultura dos vencidos, embora, em muitos aspectos, as duas culturas mantivessem diferenças entre si, como por exemplo - e mais evidentemente - no campo religioso.

A maioria das cidades-templos foi unificada pela primeira vez por volta de 2375 a.C. por Lugal-zage-si, soberano da cidade-estado de Uruk. Foi a primeira manifestação de uma ideia imperial de que se tem notícia na história.






Depois, quando Sargão I, patési da cidade de Acádia, subiu ao poder, no século XXIII a.C., ele levou esse processo cooptativo adiante, conquistando muitas das regiões circunvizinhas, terminando por criar um império de grandes proporções, cobrindo todo o Oriente Médio e chegando a se estender até o Mar Mediterrâneo e a Anatólia.


Rei Sargão, unificador das civilizações suméria e acadiana.

Sargão I era chamado "soberano dos quatro cantos da terra" (isto é, governante do mundo inteiro), em reconhecimento ao sucesso da unificação mesopotâmica. O rei tornou-se mítico a ponto de ser tradicionalmente considerado o primeiro governante do novo império (que combinava a Acádia e a Suméria), deixando o Lugal-zage-si de Uruk perdido por muito tempo nas areias do tempo, sendo redescoberto apenas recentemente. É interessante notar, contudo, que, apesar da unificação, as estruturas políticas da Suméria continuaram existindo. Os reis das cidades-estados sumerianas foram mantidos no poder e reconheciam-se como tributários dos conquistadores acadianos.

O império criado por Sargão desmoronou após um século de existência, em conseqüência de revoltas internas e dos ataques dos guti, nômades originários dos montes Zagros, no Alto do Tigre, que investiam contra as regiões urbanizadas, uma vez que a sedentarização das populações do Oriente Médio lhes dificultava a caça e o pastoreio. Por volta de 2150 a.C., os guti conquistaram a civilização sumério-acadiana. Depois disso, a história da Mesopotâmia parecia se repetir. A unidade política dos sumério-acadianos era destruída pelos guti, que, por sua vez, eram vencidos por revoltas internas dos sumério-acadianos.

O domínio intermitente dos guti durou um século, sendo substituído no século seguinte (cerca de 2100 a.C.–1950 a.C.) por uma dinastia proveniente da cidade-estado de Ur. Expulsos os guti, Ur-Nammu reunificou a região sobre o controle dos sumérios. Foi um rei enérgico, que construiu os famosos zigurates e promoveu a compilação das leis do direito sumeriano. Os reis de Ur não somente restabeleceram a soberania suméria, mas também conquistaram a Acádia. Nesse período, chamado de renascença sumeriana, a civilização suméria atingiu seu apogeu. Contudo, esse foi o último ato de manifestação do poder político da Suméria: atormentados pelos ataques de tribos elamitas e amoritas, o império ruiu. Nesta época, os sumérios desapareceram da história, mas a influência de sua cultura nas civilizações subseqüentes da Mesopotâmia teve longo alcance.

Sociedade acadiana

Na política, os acadianos criaram um Estado centralizado e avançaram na arte militar. Desenvolveram a tática do deserto, com armamento leve, como o venábulo (lança), e grande mobilidade. Na religião, estabeleceram novos deuses e passaram a divinizar também o rei.

Língua Acadiana

O acadiano é uma das grandes línguas culturais da humanidade. Os primeiros textos em acadiano datam do III milênio a.C., com a chegada dos semitas na Mesopotâmia. A literatura acadiana é uma das mais ricas da Antigüidade. A língua acadiana pertence ao grupo Oriental das línguas semíticas, fazendo parte da grande família lingüística hamito-semítica. O termo "acadiano", na verdade, se refere a um grupo de dialetos usados pelos assírios e babilônios na Mesopotâmia. O dialeto usado durante o primeiro Império Babilônico (1800 - 1600 a.C.) é conhecido como Antigo Babilônico. É nessa língua que está escrito o Código de Hamurábi. Durante muito tempo, o acadiano foi usado como língua internacional por todo o Oriente Médio (incluindo o Egito).


Selo escrito em acadiano feito durante
o reino da Babilônia, há cerca de 3.750 anos.

A mais antiga língua semítica registrada, ela utilizava a escrita cuneiforme, que por sua vez havia sido derivada do antigo sumério, uma língua isolada sem qualquer parentesco. O nome da língua é derivado da cidade de Acádia, um dos principais centros da civilização mesopotâmica.

Variedades

O acádio é divido em diversas variedades de acordo com a geografia e o período histórico:

· Acádio antigo — 2500 a.C. – 1950 a.C.
· Babilônio antigo/Assírio antigo — 1950 a.C. – 1530 a.C.
· Babilônio médio/Assírio médio — 1530 a.C. – 1000 a.C.
· Neo-babilônio/Neo-assírio— 1000 a.C. – 600 a.C.
· Babilônio tardio — 600 a.C. – 100

Escrita

Os escribas acadianos escreviam a língua através da escrita cuneiforme, um sistema desenvolvido pelos sumérios que utilizava sinais em forma de cunha impressos em argila úmida. Da maneira que os escribas acadianos a empregava, a escrita cuneiforme podia representar ou (a) logogramas sumérios (ou seja, caracteres desenvolvidos a partir de figuras que representavam palavras inteiras), (b) sílabas sumérias, (c) sílabas acádias, ou (d) complementos fonéticos. A escrita cuneiforme era inapropriada para o idioma acádio em diversos sentidos: entre suas falhas estava a impossibilidade de representar importantes fonemas das línguas semíticas, como a oclusiva glotal, as consoantes faringais, e as consoantes enfáticas. Além disso, a escrita cuneiforme era um silabário — isto é, uma consoante mais a vogal formavam uma unidade de escrita — o que era frequentemente pouco apropriado para uma língua semítica formada por raízes triconsonantais (três consoantes sem as vogais).

Fonologia

Pelo que pode ser descoberto através da ortografia cuneiforme, diversos fonemas proto-semíticos se perderam no acadiano. A oclusiva glotal proto-semítica *ʾ, assim como as fricativas *ʿ, He*h, *ḥ, *ġ se perdem como consoantes, tanto na mudança de som como de ortografia, dando origem a uma vogal e que não existia no proto-semítico. As fricativas laterais interdentais e fricativas laterais surdas (*ś, *ṣ́) se fundiram com as sibilantes, assim como no cananeu, restando 19 fonemas consonantais:

b p d t ṭ š z s ṣ l g k q ḫ m n r w y.

Existem no acádio quatro vogais, com distintas quantidades:

a, e, i, u, ā, ē, ī, ū

Gramática

O acádio é uma língua fusional, e como uma língua semítica suas características gramaticais são extremamente similares às encontradas no árabe clássico. Ela possui dois gêneros (masculino e feminino), distintos nos pronomes da segunda pessoa (tu-masc., tu-fem.) e nas conjugações verbais; três declinações para substantivos e adjetivos (nominativo, acusativo e genitivo); três números: singular, dual e plural); e conjugações verbais exclusivas para cada pronome da primeira, segunda e terceira pessoas.


A tabuleta do dilúvio, do épico
de Gilgamesh, em acádio.

Os substantivos acádios variam de acordo com o gênero, número e declinação, e os adjetivos são declinados exatamente como os substantivos.

Os verbos acádios possuem treze diferentes raízes gramaticais. As três modificações básicas da raiz simples (que recebe o número I, ou é chamada de Grundstamm, G-Stamm) são a duplicação da segunda letra da raiz (II ou Doppelungsstamm, D-Stamm), o prefixo "š" (III ou Š-Stamm) e o prefixo "n" (IV or N-Stamm). Uma segunda série de verbos é criada colocando-se um infixo: a sílaba tan é inserida entre as duas letras da raiz, criando um conjunto de raízes geralmente reflexivas. Estes dois conjuntos de quatro raízes são as mais usadas costumeiramente em acádio. A raiz final utiliza tanto o š-prefix como a duplicação da segunda letra da raiz. As raizes, sua nomenclatura e exemplos do predicativo da terceira pessoa masculina e singular do vergo parāsum (raiz PRS: 'decidir, distinguir, separar') são:

I.1 G paris a raiz simples, usada para os verbos transitivos e intransitivos→ correspondente à raiz árabe I (fa‘ala) e à hebraica qal

II.1 D purrus geminação do segundo radical, indicando o intensivo→ correspondente à raiz árabe II (fa‘‘ala) e à hebraica pi‘el

III.1 Š šuprus preformativa "š", indicando o causativo→ correspondente à raiz árabe IV (’af‘ala) e à hebraica hiph‘il

IV.1 N naprus preformativa "n", indicando o reflexivo/passivo→ correspondente à raiz árabe VII (infa‘ala) e à hebraica niph‘al

I.2 Gt pitrus raiz simples com o infixo "t" depois do primeiro radical, indicando recíproca ou reflexiva→ correspondente à raiz árabe VIII (ifta‘ala) e à aramaica ’ithpe‘al

II.2 Dt putarrus segundo radical dobrado precedido pelo "t" infixado, indicando reflexivo intensivo→ correspondente à raiz árabe V (tafa‘‘ala) e à hebraica hithpa‘el

III.2 Št šutaprus preformativo š com o infixo "t", indicando causativo reflexivo→ correspondente à raiz árabe X (istaf‘ala) e à aramaica ’ittaph‘al

IV.2 Nt itaprus

I.3 Gtn pitarrus raiz simples com o infixo "tan" depois do primeiro radical

II.3 Dtn putarrus segundo radical duplicado precedido pelo infixo "tan"

III.3 Štn preformativo "š" com o infixo "tan"

IV.3 Ntn itaprus preformativo "n" com o infixo "tan"

Os verbos acádios demonstralmente geralmente sua raiz consonantal, embora também existam algumas raízes com duas ou quatro consoantes. Existem três tempos verbais: presente, pretérito e permansivo. O tempo presente indica ações incompletas e o pretérito indica ações completas, enquanto o permansivo expressa um estado ou condição e geralmente está no particípio.

O acádio, ao contrário do árabe, tem plurais quase sempre regulares (ou seja, não tem plurais quebrados), embora algumas palavras masculinas tenham plurais femininos. Neste ponto, é similar ao hebraico.

Ordem das palavras

A ordem das palavras no acádio era Sujeito+Objeto+Verbo (SOV), o que a diferencia da maiora das outras línguas semíticas antigas, tais como o árabe e o hebraico bíblico, que têm tipicamente uma ordem Verbo-Sujeito-Objeto (VSO). (As línguas semíticas do sul da Etiópia de hoje em dia também possuem a ordem SOV, mas esta foi desenvolvida ao longo da era histórica pela língua ge'ez, tradicionalmente SVO. Já se especulou que esta ordem de palavras foi resultado da influência do sumério, que também era SOV. Há evidências de que os falantes nativos de ambas as línguas estavam em íntimo contato linguístico, formando uma única sociedade por pelo menos 500 anos, então é perfeitamente possível que um sprachbund possa ter sido formado. Maiores provas de que uma ordem originalmente VSO ou SVO podem ser encontradas no fato de que os pronomes de objeto direto e indireto são sufixados ao verbo. A ordem das palavras deve ter mudado para SVO/VSO no final do primeiro milênio a.C. até o primeiro milênio d.C., possivelmente sob a influência do aramaico.

Fontes: Templo árabe / Templo de Apolo / Wikipédia / Terra / Blog Ampulhetta.

7 comentários:

Nathália Gomes disse...

Muito bom esse post sobre os 'acadianos'. Foi de grande auxílio para mim :) :)
Parabéns,
obrigada *------*

Isaias disse...

Muito bom este post. Posso colocar um link para os meus alunos?
Obrigado pelo belo trabalho.

Isaias disse...

A lamentar só a lacuna sobre a sociedade mesopotâmica se encontrar algo decente eu te informo.

loren medeiros disse...

gostei deste post me ajudou bastante. so precisava ter falado de religião.

BLOGGER disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulynha Sissy disse...

Muitoo boom esse post me ajudou mt obrigado ;)

Priscilla Oliveira disse...

muito bom, só faltou a piramide social deles, estou procurando e não acho